Metrô – Festival Do Cinema Universitário Brasileiro

Programação

Debate da sessão 02

Texto da Curadoria

Revisitar o passado imediato e acessá-lo por meio da farsa, do engodo, do arquivo corrompido, do delírio. A sessão combina filmes que compreendem a vocação de certas formas, que entendem a inclinação de determinadas temáticas. Por exemplo: a vocação maior do filme de coisas e coisas e coisas é culminar em qualquer coisa. Ou, então, como registrar o lockdown, que nunca existiu no Brasil, de outro modo que não seja fantasiando de documentário uma ficção? É isso tudo e, também, o seguinte: desprendida da obrigação de falar coisa com coisa, a sessão pode, parafraseando, um poema de Ashbery, fazer afirmações contundentes que não afirmam nada.

Muitas das formas e temáticas mencionadas acima, vale lembrar, fazem parte do passado do próprio festival Metrô. Ao refazer de modo radical o “filme de pandemia”, o “falso documentário” o “filme shitposting”, a sessão lança luz sobre tendências recentes do cinema universitário brasileiro, arando o terreno para um possível replantio.
(Wellington Sari)

Debate da sessão 03

Texto da Curadoria

No meio do caos, da destruição cultural promovida pelo governo federal, nossa memória foi pouco a pouco sendo demolida. O golpe final: o celulóide derreteu, a cinemateca queimou. Nossa casa foi destruída. Doentes enquanto sociedade, enquanto nação, com as raízes contaminadas, sem casa, vimos o quão frágil é o cinema no Brasil.

Não temos mais como voltar. No meio dos escombros, mesmo que ainda desfalecidos, um cinema precisa ser refundado, sobre o Brasa queimado, sobre o que resta de um país. Os filmes apresentados nessa sessão nascem dessas cinzas. Filmes feitos no transe que se perdem para encontrar o outro, o mundo, o êxtase, a graça, a desgraça. Para se encontrar, é preciso primeiro se perder, na consciência, na loucura, no descontrole, mas antes de tudo, se perder.

(Evandro Scorsin)