PREMIAÇÃO
8º METRÔ FESTIVAL DO CINEMA UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO
JÚRI OFICIAL
Como membros do júri oficial da 8ª edição do Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, nós decidimos não avaliar ou destacar os filmes premiados por categorias, tampouco achamos pertinente hierarquizar seus valores como produções finalizadas. Portanto, não haverá isso de “melhor filme”, mas sim o reconhecimento e a celebração de diferentes curtas-metragens exibidos nas sessões competitivas que aqui serão valorizados de forma igualitária.
Os três filmes premiados por este júri se destacam por suas singularidades estilísticas e evidenciam uma diversidade de cinemas com os quais as e os jovens realizadores participantes desta edição se vinculam. São filmes que arriscam experimentações por meio da construção de mise en scene, da mobilização de arquivos e memórias e da filmagem atenta e sensível de realidades complexas. São filmes que, seja olhando para o passado, para o presente ou para o futuro, propõem reflexões sobre trajetórias individuais e coletivas, sobre personagens familiares em termos consanguíneos ou sociais-comunitários. Filmes que demonstram o que há de promissor não apenas quanto à carreira individual das e dos realizadores aqui premiades, mas também quanto à novíssima produção de toda uma geração que tem — e deve continuar a ter — a inventividade como motivação essencial para uma constante e interessante renovação do cinema brasileiro.
MEMBROS
Catalina Sofia, Daniel Bandeira, Mariana Queen Nwabasili e Pedro Monte Kling
Há uma peça publicitária, fim dos anos 80. No texto, a definição de uma palavra: “tecnologia”, “o sistema através do qual a sociedade dá aos seus membros aquilo que precisam ou desejam”. Ao lado, o produto: uma filmadora vhs, máquina da lembrança. O primeiro filme que escolhemos destacar nessa noite é feito das mais misteriosas imagens, de sons e luzes do passado, ausentes da memória, encarnados na tela, e articulados pela diretora com enorme maestria. São palavras de jornais, fragmentadas. São paisagens à janela, rapidas demais para as lentes. É a risada de uma criança, pequena demais para registrar o que vê. E no centro de tudo, há um homem. Um homem vivo. Por 14 minutos, o mais vivo homem dentre as tantas dezenas de pessoas na sala da Cinemateca de Curitiba. O Júri da Mostra Competitiva tem o prazer de premiar “CASTELOS DE AREIA”, de GIULIANA ZAMPROGNO, da UFF (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – RJ)

Como que faz para uma câmera ouvir? Não só receber estímulos da realidade, mas também, no sentido contrário, transmitir empatia aos seus retratados? O fazer cinematográfico geralmente impõe a superioridade de quem filma sobre aquilo que é filmado, mas o filme vencedor deste prêmio abraçou a escuta e o respeito aos seus sujeitos, coisas tão necessárias nesses tempos de divisão. Ao se aproximar de uma face plana repleta de dificuldades e provações, o filme se abre para revelar uma geometria mais complexa, mais rica e, frequentemente, mais bonita. O Júri da Mostra Competitiva tem o prazer de premiar “QUADRADOS”, de JOÃO PEDRO COSTA, da UFPE (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO – PE)

Se colocar em movimento é também se colocar em risco e o risco aqui se apresenta como matéria elementar para mudança. Enfrentar a vida com o que ainda nos resta: o corpo, o desejo e o sonho.
O filme premiado arrisca em como se coloca no mundo a partir da sua linguagem e como reivindica à fórceps o direito da sensorialidade do corpo nesse mundo que tanto repele nosso pertencimento.
É radical em sua realização na medida em que se apropria da relação do espaço íntimo com o espaço público e como movimenta seus personagens e suas ideias nesse jogo. Nos mostra que talvez radical mesmo seja buscar naquilo que já é nosso a quebra com tudo que já foi construído de nós mesmos.
O Júri da Mostra Competitiva tem o prazer de premiar “MELANCOLYA CANYBAL”, de HENRIQUE BARRETO DOMINGUES, da UNESPAR (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ – PR)

JÚRI UNIVERSITÁRIO / JÚRI DA CRÍTICA
Júri foi formado por:
Ana Clara Grama (Puc-PR)
Juno Lima (IFPR)
Malcolm Rios Farias (Unespar)
Maria Eduarda Glodsienski (Puc-PR)
Raissa Kanashiro (Puc-PR)
A discussão do júri da crítica gostaria de pontuar uma Menção Honrosa por uma realização de destaque, por mostrar como a memória ganha vida em imagem e áudio. Um filme pode ser tão singelo e potente.
A Menção Honrosa vai para “VIAGEM NO TEMPO”, de PEDRO BOURNOUKIAN, da UFPEL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS – RS)

Para o prêmio do jurí da crítica, nada mais comovente como a complexidade da existência corajosa de corpos que se apresentam de forma tão tátil e vulnerável à tela e a percepção do público.
Pela audácia de explorar outros caminhos da expressão audiovisual em um filme que mesmo quando corta não acaba.
O prêmio de jurí da crítica vai para “FEIÚRA COMOVENTE”, de ULTRA MARTINI, da AIC (ACADEMIA INTERNACIONAL DE CINEMA – SP).

METRÔ LAB
Em primeiro lugar, o júri gostaria de parabenizar a todos os projetos apresentados. Queremos agradecer por compartilharem suas histórias e dizer que vemos potencial, visão e talento em todos os projetos. Precisamos de filmes que mostrem com sinceridade e coragem distintas visões de mundo. Dessa forma, entendemos que cada um de vocês premiou este festival com a riqueza e autenticidade de seus projetos e que esperamos ansiosamente o momento de ver esses filmes e mergulhar ainda mais fundo em seus mundos.
MEMBROS
Adriel Nizer, Júlia Vidal e Vanessa Vieira
Nossa Menção Honrosa vai para uma história que nos encantou pela singeleza e pelo carisma das situações. Através do pitching foi possível perceber sua estrutura sólida e potência de realização. Uma obra que é feliz em transmitir tanto suas especificidades culturais quanto sua universalidade humana. Um projeto repleto de carisma, angústia e ternura. Que narra a infância a partir da experiência, valorizando hábitos culturais e relações comunitárias, provocando reflexões sobre o cotidiano e os ecos internos deixados pela infância, elementos que ao serem abordados com verdade, como é o caso aqui, enriquecem a narrativa.
A Menção Honrosa vai para: “PISA”, de LUCAS MARÇAL BEZERRA, da UFPE (UNIVERSIDADE FEDERAL PERNAMBUCO – PE)
O prêmio de melhor projeto vai para um pitching que nos envolveu sensorialmente, evocando sons, imagens e texturas. Uma história que traz na simplicidade um alto grau de sofisticação. Fomos instigados pelo desejo das autoras de falar sobre prazer. Algo que se sente na voz e no corpo durante suas apresentações. O prazer é um ato revolucionário e também de insurgência. Premiamos o desejo de narrar uma história que provoca tesão pela vida e tesão pelo cinema.
O Prêmio do Júri do MetrôLab vai para: “DILÚVIA”, de SOFIA WERLANG e MARIA VALLE, da UFF (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – RJ)
