Metrô – Festival Do Cinema Universitário Brasileiro

Programação

Debate da sessão 04

Texto da Curadoria

Se existe algo que sustenta nossa humanidade nesses tempos difíceis, é a empatia pelo outro. A vontade de ver no outro não um espelho, mas um complemento, uma diferença, algo que a gente não tem.

Embalados por uma mise em scène musical, os filmes dessa sessão encontram no outro o ritmo e a melodia de suas histórias. Seja para buscar a graça, resgatar uma memória ou apenas alimentar a vaidade, o plano aqui se projeta no contra-plano. Tudo pelo outro, por aquele amor, por aquela lembrança, que mesmo sendo efêmera ainda podemos fingir ser eterna.

(Evandro Scorsin)

Debate da sessão 05

Texto da Curadoria

Quando a fonte de inspiração e a forma narrativa vem não do cinema, mas do Youtube, de Podcasts, da linguagem da internet em geral, a pergunta que surge é: estamos ainda no terreno do cinema?

O cinema, de forma objetiva, revela aquilo que o cineasta mostra, e o cineasta não é nada além do que um mostrador de imagens. Mostrar é um gesto, um gesto que obriga o espectador a ver, a olhar. Sem esse gesto, só há imagens. O cineasta, então, com seu gesto de mostrar, aponta uma direção, uma forma de ver.

A arte do espaço-tempo nasce então desse encontro entre o mostrador de imagens e a tangibilidade do mundo. Esse encontro efêmero, fugaz, produz um milagre. Um milagre que fria e cientificamente batizamos de plano. Godard iria provocar ao dizer que o difícil mesmo é colocar o plano em profundidade, criar camadas. E o cinema pode estar lá, nas entrelinhas dessas camadas, não onde existe câmera, afinal, elas existem por tudo, mas onde existe profundidade.

Os filmes dessa sessão promovem um encontro entre dispositivo e mundo, memória, presente e passado. Do plano, tiram a profundidade escondida do passado de uma cidade, de uma relação amorosa ambígua ou de um amor profundo e familiar.

(Evandro Scorsin)