por Ana Clara Grama
O Carnaval é de Pelé, curta-metragem de Daniele Leite exibido na mostra Panorama da 8ª edição do Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, mergulha no universo memorialístico do personagem-título Pelé, um enfermeiro aposentado que nos apresenta com orgulho os tempos em que foi Mateus do folguedo popular Boi Tira-teima, manifestação popular do Bumba-Meu-Boi que acontece na zona rural de Caruaru, em Pernambuco.
A obra estabelece um diálogo sensível com a ideia de preservação cultural, e a comunhão de um povo com o folclore brasileiro, como parte de sua identidade e pertencimento.
O saudosismo aparece como tema central do filme e ganha corpo não apenas no discurso de Pelé, mas também na intimidade que a câmera estabelece com ele. Os planos fechados estão sempre atentos aos gestos, às mãos que costuram, aos detalhes que compõem os fazeres apresentados nas imagens. Uma proximidade que não só intensifica a experiência de recordar, como também traduz em imagem o orgulho de manter viva a tradição carnavalesca.
Entretanto, o filme não se limita à nostalgia. O orgulho de Pelé está também no presente, em poder continuar ali em seu território acompanhando a nova geração e percebendo que a tradição se perpetua nela. É tangível, portanto, que a narrativa reforça que o Boi Tira-teima não se encerra em uma figura ou em um tempo específico: há sempre alguém que substitui o brincante que interpreta Mateus, mantendo o ciclo vivo e impedindo que essa memória se apague.
Porém, mais do que memória, o filme é tecido entre gerações, costurado entre o passado de Pelé e o presente dos novos brincantes.



