Por Juno Lima
De forma ágil, “1 DE ABRIL, É TUDO MENTIRA!”, curta-metragem dirigido por Brisa Romeiro e Clara Alice, deu o tom da mostra “Competitiva 3: ENNUI” da 8a edição do Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro.
Como num flash, vemos na tela uma mensagem potente escrita em uma pichação na parede: “a maior piada da história do Brasil é achar que a ditadura acabou”. Tão rápido quanto chega, a frase se vai. Não sem antes nos possibilitar confrontarmos uma viatura de polícia.
A personagem protagonista é um bobo da corte que veste roupas nas cores verde e amarela. Ela está atravessando uma faixa de pedestres, quando uma bomba construída como um elemento cartunesco é jogada na mencionada viatura. Assim, o filme joga também para a audiência o fato de que ainda vivemos as consequências da ditadura militar, de que não a superamos.
Em tempos em que dizer que vivemos uma tensão política é eufemismo, a reapropriação do nosso “verde e amarelo” não é qualquer coisa. Mas aqui ela só funciona por ter sido feita via bobo da corte, que é reconhecido como aquele que pode fazer piada sobre o rei sem literalmente perder a cabeça, sem ter a cabeça cortada.
Em um minuto, “1 DE ABRIL, É TUDO MENTIRA!” nos faz refletir que se o Brasil é uma piada, o bobo da corte é o único que pode falar algo que faça sentido. É tudo tão rápido, tão brusco, sem interesse em se explicar, que a única coisa que podemos fazer durante a breve duração do filme é sentir essa sua mensagem, que acaba ecoando para muito além de seus sessenta segundos de duração.



