Por Juno Lima
“Memória Trêsporquatro’’, dirigido por Osani, foi exibido na mostra “Competitiva 4: Os Olhos São Para Enxergar”, da 8ª edição do Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro.
A cada plano, o filme mostra a mesma foto três por quatro de uma menina. E, desde a sinopse, nos pergunta: “o que você sente ao olhar para esse retrato?’’. Cada especulação que ouvimos responde à questão, e assim como as especulações mudam, o fundo onde a foto está inserida também.
É fascinante a variedade de sensações que uma única foto pode causar em diversas pessoas. Uma única expressão, uma única menina, com seus cabelos longos para trás, e os olhos fixos no espectador, congelados no tempo.
Vamos pensando nas nossas próprias interpretações sobre a singela foto. Acabamos nos questionando se chegaremos a descobrir a verdade sobre a garota, e se algumas das especulações sobre ela proferidas nas falas em off dos entrevistados estão corretas. São fatores que nos fazem questionar a diferença entre memória e suposições sobre o passado.
Afinal, quando falamos de memórias, como dizer quais são as verdadeiras e quais são apenas suposições que tratamos como verdade? No contexto do filme, as interpretações sobre aquela menina e sua vida revelam mais sobre quem fala do que sobre a pessoa na imagem. Nesse sentido, no filme, lembrar de algo e imaginar, criar uma história, são quase a mesma coisa. Então, as suposições passam a ser memórias existentes de verdade.
Pupá, a menina na foto, não se lembra do contexto em que seu retrato foi feito, nem exatamente sua idade. Suas divagações sobre sua vida na época em que foi fotografada são, portanto, tão especulativas quanto o que dizem as outras vozes do filme. Ela não é mais aquela menina, é agora parte do coro de personagens que a supõem e a constroem.



