Por Juno Lima
Como sensibilizar o outro quanto a o que sentimos? Ao que vemos? Ao que somos? E como colocar em palavras? Ou melhor, em imagens e sons?
Durante oito minutos na mostra “Competitiva 2: A Quimera” da 8a edição do Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, mergulhamos nas experimentações audiovisuais e biotecnológicas de “Trivakra”, curta-metragem dirigido por Sofia Angst.
O filme é uma verdadeira comunhão entre matéria física e matéria cibernética, que se mesclam para trazer à tona formas surpreendentes de ver, ser, sentir. Os pixels e suas texturas virtuais distorcem o corpo filmado em instâncias microscópicas, levando a uma distorção também da memória, do gênero e, claro, da imagem. Como a diretora Sofia Angst disse no debate após o filme, a partir dessa mescla entre entranhas e audiovisual, somos desafiados a encontrar “novos territórios para o eu’’.
Em planos táteis e íntimos, a autenticidade das imagens sangra na tela em flashes rápidos de luzes ciano, magenta, amarelo e mais uma vastidão de cores, que podem chegar a incomodar a vista de quem assiste. Os sons agudos de “bips’’ distorcidos nos colocam em uma experiência sensorial desconfortável, mas ao mesmo tempo atraente. Não conseguimos parar de olhar a tela, somos sugados, hipnotizados.
O movimento de “Trivakra” em ousar dizer que há outras formas de existir e imprimir isso na tela é de uma beleza dolorosa, que queima nossa retina. A beleza da vulnerabilidade é assim: insuportável, agoniante, suja, errática. Nós nos deleitamos nesse experimento, nessa multiplicidade física, imagética corporal.



