por Juno Lima
Nascido de um exercício sobre a filmagem de cenas de sexo proposto na faculdade do diretor Giordanno Bottezine, “Seu Avô Também Fazia Sexo Gay’’ chega de supetão, com uma introdução rápida de flashes de pornô gay dos anos 70 que não sustenta um tesão duradouro para o restante do filme.
O título apresenta logo de cara algo que ainda é necessário reiterar: gays sempre existiram e nossos familiares mais velhos poderiam ser um deles. A obra tem Nereu como protagonista, e apresenta Antônio como seu parceiro sexual que prefere manter tudo no “sigilo’’.
Para nos enviar ao passado, a fotografia utiliza o preto e branco de forma banal. E a direção de arte pouco inspirada e os figurinos (que evocam muito mais a era ‘’tumblr’’ de 2015) fracassam em nos transportar para o tempo histórico desejado.
O fiasco na representação do passado só não é maior que a inabilidade em criar uma cena homoerótica excitante. Desde os beijos sem paixão e intimidade até os diálogos sem química proferidos antes da transa, nada nos faz comprar que as personagens sentem desejo uma pela outra.
Até os dildos coloridos que aparecem flutuando em transparência sobre diferentes cenas, formando às vezes um caleidoscópio na tela, nos fazem broxar de tédio. A intenção de desafiar um passado heteronormativo aqui é clara, mas a sua execução parece muito mais se conformar com o mesmo. Querendo ser disruptivo, o resultado final acaba mais paralizando do que deliciando de forma fluida, como todo bom sexo (gay) deve ser.



