JURI UNIVERSITÁRIO
OFICINA DE CRÍTICA
Boa noite, pessoal.
Antes de começarmos, queria mencionar a ausência de uma das participantes da Oficina, a Denise, que passou mal e não pode vir.
Neste ano, o júri universitário do Metrô encontrou experiências das mais fantásticas, desde a ressaca de uma festa às burocracias da morte. Foram noites frias na capital paranaense, mas quentinhas na sala de cinema da Cinemateca.
Tudo isso por causa do melhor que o cinema tem a oferecer: o encontro dos filmes com o público, as conversas com os realizadores, o bate-papo pelas ruas curitibanas.
Agradecemos à organização do festival por possibilitar que tivéssemos contato com filmes, pessoas e afetos.
Ninguém merece ficar morrendo de ansiedade, né?
Então, sem mais delongas, as decisões do nosso júri.
MENÇÃO HONROSA:
Como todo mundo sabe, o cinema brasileiro é o máximo porque é o impossível. Criar, inventar a partir do que não há, como se fosse uma brincadeira. Uma obra que inverte a lógica: o cinema de verdade vira de mentira, o cinema de mentira vira de verdade. A forma de sobrevivência é a desobediência.
Brincar não se torna apenas coisa de criança, vira cinema. Concretiza-se a fabulação, transforma-se o afeto. Carinho que transborda por linguagem e registra, para sempre, a história fugaz da imaginação infantil. Se o diretor faz questão de ser ladrão, é seu irmão que acaba por roubar a cena.
Por um fazer cinematográfico que desafia as concepções do que é um cinema de gente grande, que não apenas olha para, mas é o futuro, o Júri Universitário dedica a Menção Honrosa do 9o Metrô…
ao filme dentro do filme idealizado por Heitor Guimarães Rosa, em “Os Ladrões do Brasil”, de Pedro Guimarães Rosa.

MELHOR FILME
Pela capacidade de quebrar a ordem, subverter paradigmas e ampliar o cinema por meio de uma visão ensaísta, pela qual o contraste reina, indo do sério à avacalhação, do erudito ao popular, do que é dado por belo ao feio e pela sexualidade sem medo de expressar.
Por mostrar a imagem como ponto de partida para uma imersão despreocupada de normas, por ser pirralho ao tensionar as representações masculinas, articulando de forma engenhosa temporalidades, imaginários e regimes de representação.
Por sua liberdade, sua inteligência crítica e pela coragem de transformar referências pop improváveis em uma experiência cinematográfica única, o Júri Universitário premia como Melhor Filme do 9o Metrô o curta-metragem… “AQUILES ERA UM TWINK”, de Henrique Domingues.
