por Manu Couto
Associa-se muito o cinema de horror ao espaço noturno. A noite, a escuridão, a lua são quem abraçam os monstros, os assassinos e os perturbados. Em Cecelia, entretanto, o vilão não esconde-se nas sombras. Sem refúgios, vemos o abjeto à luz do sol. a pessoa/animal que assombra a protagonista aparece em pleno dia, em planos que a capturam por inteira.
São cenas que contrapõem a inocência e tranquilidade das ovelhas com a perturbação de uma personagem dividida em duas, mas o escuro é destinado à outra face da moeda. Quando vemos Cecelia, os planos são vermelho-escuro. Conturbada, ela tenta tirar a mancha de uma roupa da qual nem sabemos a cor. Tudo é vermelho. Vermelho sangue.
Uma cena que chama atenção: a personagem alter-ego corre em direção aos carneiros. Quando eles fogem, a cena não corta. A figura vai ficando cada vez mais distante. Quando o branco do vestido se confunde com o branco fofo das ovelhas, a imagem fica cada vez menos clara e o curta encontra um certo brilho.
Apesar desse breve reflexo, a claridade ainda bate em uma superfície fosca. Mostrar demais pode tornar-se mostrar de menos; afinal, o olho que tudo vê não teme a nada ou ninguém.


