por Manu Couto
Um diário é algo muito pessoal. Próprio, íntimo, que faz o leitor conhecer o autor em seu âmago. Atrelar o nome de filme-diário leva uma bagagem da qual lugares em florianópolis em q vc não está pode estar carregando, mas que perdeu no meio da viagem. Se me perguntam o que sei sobre quem fez o filme, a resposta será o mesmo silêncio-som-ruído do plano estático de uma estrada.
Se a própria imagem de minúsculos pixels não nos permite enxergar nada além de vultos, o enquadramento muito menos. São vestígios de lugares, assim como o filme vê vestígios dela. Mas, quando a encontramos, qual seu rosto? O que veste? Quem é? O realizador filma sem mostrar, não mostra nada. O nada, portanto, se torna tudo que temos. Por fim, deixamos o quebra-cabeça incompleto. A ausência também é uma presença.


