Por Thiago Reinaldo
Na primeira Mostra Competitiva da noite, a 9ª edição do Metrô nos introduz numa jornada tortuosa por sentimentos múltiplos. Do horror à comédia, a mostra se propõe a designar caminhos para enxergar novas maneiras de expressão do cinema universitário com obras cheias de personalidade. Entre os filmes apresentados, Lena, dirigido por Lanna Carvalho, chama a atenção por sua narrativa madura sobre uma relação mãe e filha coberta de afeto e aprendizado.
Apreciadora do silêncio, a obra constrói momentos de imersão no íntimo da personagem principal, interpretada pela própria mãe da diretora, Lucilene Fernandes. Helena não consegue dar nome aos sentimentos, por mais que lá estejam em meio ao conflito das mudanças. Ao receber um lugar especial como presente da filha, ela se conecta com este local, onde um dia foi cenário de expressão da sua maternidade.
Existe algo que nos atinge com certa precisão quando a protagonista decide voltar ao local, agora com aquele maiô verde, e ficar sozinha em meio ao silêncio do rio, encarando aquele céu. Lena é um filme marcado pelo distanciamento daqueles que vão e os que ficam, distância essa não só geográfica, mas dos limites impostos para quem antes de ser alguém, é um papel.
Por mais distante que se encontrem, o presente dado por Luísa fica e o céu que compartilham é o mesmo. O final expressa uma possibilidade de poder abraçar o destino e aprender novas maneiras de voar com ele. Lena opera como uma ode a figura materna, aquela que cuida e constrói uma vida exterior a sua, ligada pelo afeto, onde os gestos sobrepõem as palavras.
A obra de Lanna engajou o público da sessão com sua narrativa tão humana quanto brasileira, tão íntima quanto coletiva. Lena é um rio seguindo seu fluxo, tem vida própria, e o filme possui um lugar especial em quem o assiste.


