Metrô – Festival Do Cinema Universitário Brasileiro

Programação

Sessão 07 - Julgar a história

Liberada à partir das 00:00 do dia 18/09

Filmes desta sessão

Debate da sessão extra

Texto da Curadoria

Um Documentário Brasileiro convida tanto o público quanto os diferentes entrevistados que dão as caras no média metragem (aliás, dar as caras é expressão bastante apropriada para filmes realizados durante a pandemia) a analisar imagens das confusas manifestações durante o período de presidência de Dilma Rousseff. O Metrô aproveita o embalo e disponibiliza o filme durante toda a duração do festival.

Compreender a timeline que se inicia em 2013, passa por 2016 e resulta no bolsonarismo é complexo, e o filme não se coloca na posição de oferecer respostas, mas na de fazer as perguntas às imagens. A dissonância cognitiva e os traços mais marcantes da realidadeverso bolsonarista tem suas raízes expostas neste período. Fica a sugestão, de nossa parte, de que o filme seja assistido antes da mesa de debate Guerra dos mundos: bolsonarismo e a realidadeverso (18/09 às 18h), que discute o imaginário da empresa Brasil Paralelo.

(Wellington Sari)

Metrô Debate - Guerra dos Mundos: bolsonarismo e realidadeverso

Na mesa Guerra dos Mundos: o bolsonarismo e a realidadeverso a antropóloga e professora na UFSC Letícia Cesarino e o professor de literatura comparada na UFF João Cezar Castro Rocha debatem a guerra cultural e o novo populismo, a partir da construção do imaginário presente nos documentários da empresa Brasil Paralelo. A mesa terá mediação de Ana Lesnovski, professora e uma das criadoras do canal de YouTube Meteoro Brasil.

Debate da sessão 07

Texto da Curadoria

A História, como se sabe, não julga nada. Quem o faz são as pessoas. Revistar a História deve ser um gesto ativo, do paleontólogo que suja o joelho de terra. Reimaginar certas formas cinematográficas é parte da construção de um futuro outro, que se dá também a partir de um julgamento, agora no sentido relativo ao gosto e às escolhas artísticas.

A última sessão do Metrô exibe filmes que passeiam por ruas de paisagem reconhecível, ao contrário dos caminhos trilhados por vários dos curtas presentes nas sessões anteriores. O diálogo com as formas já estabelecidas é intenso, é analítico. O cinema como máquina de pensar, em que viajam trafegam pelos circuitos o documentário com imagens de arquivo, o giallo, o faroeste spaghetti, a animação de traços chamados “regionais”, o super 8. E, claro, pensar é preservar, ao invés de conservar. Preserva-se obras, preserva-se a floresta, conserva-se pepinos, cadáveres. O cinema não é supermercado, tampouco necrotério.

Por fim, estar do lado certo da História para apontar a câmera para o lado errado é outra atitude desejável.

(Wellington Sari)