Por Thiago Reinaldo
Duas histórias paralelas sendo contadas ao mesmo tempo, compartilhando o mesmo mar, separadas entre o velho e o novo, o marginalizado e o integrado, o feio e o belo. Assim é o curta Paralelas, dirigido por Igor Mota, um projeto bem executado onde se trabalha o contraste entre duas pontes de uma mesma região.
A obra busca engajar uma opinião por meio de um olhar político das imagens de uma câmera estática, a ficar observando as pessoas que passeiam pela Ponte Velha e a Ponte dos Ingleses (Ponte Nova) em Fortaleza, deixando ao nosso olhar dizer o que achamos daquelas histórias que transcorrem por aquele lugar.
O olhar do Igor Mota é quase como o de um infiltrado no cotidiano das pessoas alí presentes. Não se sabe quanto tempo foi gravado para se ter aquelas imagens, mas sabe-se que o olhar do diretor foi meticuloso ao assistir cada detalhe da vida das pessoas, vivendo despreocupadas com a gravação após certo tempo. Vemos umas brincando com a presença da câmera em alguns takes, outras estão totalmente desprendidas de noção de que a gravação ainda está acontecendo.
Apesar de longo, somos fissurados pelo cotidiano entre as pontes, esperando por alguma reação imprevista das pessoas presentes. O contraste é bem trabalhado, mostrando as nuances dos detalhes que vão desde a arquitetura ao que as pessoas fazem lá. A imagem é política.
O silêncio do diretor é ao fim preenchido por uma dedicatória àqueles que ainda fazem a Ponte Velha existir, que não abandonam o local e nem suas memórias. A ponte é o cenário de vias que por lá passam. Ainda há vida na ponte e — enquanto houver vida — haverá afeto.


