Por Thiago Reinaldo
Imaginar um filme em sete dias não é tarefa fácil, pode-se criar divinos momentos que logo se perdem no decorrer das cenas. Pode acontecer algum erro técnico, falta de equipamento ou até ausência de equipe para apoiar. Apesar de todas as possibilidades que fazer um filme em tão pouco tempo tem de dar errado, o filme de Olegário desvia de todas elas. Estação Passagem abre a terceira mostra competitiva Novos Românticos enfrentando todas as limitações técnicas, com roteiro bem amarrado, conciso e instigante.
Fábio é um jovem que começa a trabalhar em outra cidade. Entre as longas viagens de trem e um rosto familiar, seus desejos vão se aflorando na jornada do dia a dia. O tempo escasso e a distância entre casa e trabalho marcam a rotina, essa ausência de tempo para interações pessoais que abre espaço para imaginar coisas.
O que mais chama a atenção na obra é a representação do desejo, este que antecede tudo, chega arrancando todo o controle, descortina as máscaras. É cáustico e move a narrativa tal qual o descontrole do protagonista. Os diálogos são bem colocados e o silêncio também, quando inteiro ou quando preenchido pelos ruídos de um trem, um alarme ou aqueles áudios do trabalho.
Não se sabe se o desejo de Fábio veio a ser realizado ou não, se está no campo carnal, físico, ou se ao fim ficou no desejo não satisfeito, nesse campo das ideias, o que não se mostra como algo ruim no filme. Pertence a ele e a mais ninguém.
O que surge como um primeiro passo para Olegário entrar no cinema mostra que o diretor tem visão e consegue causar com a gente, mover nosso olhar e fazer cinema. Tratar sobre o romance é pensar na paixão, no toque, no beijo, nos sorrisos desamarrados e aquele frio na barriga, mas Estação Passagem mostra que anterior a ele há o Desejo. Este sentimento que manda e desmanda na gente.


